4 de outubro de 2016

A criança não se preocupa com o futuro. Ela confia nos adultos que cuidam dela e acredita que eles são capazes mantê-la segurança. A criança que se sente segura agora não se preocupa com sua segurança amanhã. A insegurança quanto ao futuro é experimentada agora, e quem experimenta a insegurança agora se sente inseguro agora. Assim, quem se sente seguro agora não teme o futuro; e quem não teme o futuro não precisa se preocupar com ele. Por essa razão, a criança não é nem otimista nem pessimista. Só é otimista ou pessimista quem se preocupa com o futuro, e esse tipo de preocupação não diz respeito à criança. Só se torna otimista quem aprende a se preocupar com o futuro; portanto, o otimista teme o futuro tanto quanto o pessimista. Como começamos a nos preocupar com o futuro? Começamos a nos preocupar com o futuro quando entendemos que não há nada ou ninguém que possa garantir nossa segurança no presente; e se nossa segurança no presente não está garantida, estamos sujeitos a sofrer com imprevistos desagradáveis a qualquer momento... a qualquer momento futuro. É para mitigar a ansiedade causada por essa insegurança que passamos a buscar fórmulas mágicas que nos garantam, no futuro, a segurança que não conseguimos mais encontrar no presente. Essas fórmulas podem ser encontradas em diversos lugares: Na superstição, na religião e... na crença do pensamento positivo.
Em nossa sociedade, há um culto em torno do pensamento positivo. As razões que o fundamentam até parecem sensatas. Seus defensores dizem que o desânimo não leva a lugar algum e que o pessimismo cria obstáculos invisíveis, mantendo-nos presos a eles. Dizem também que o otimismo ajuda a enxergar mais possibilidades de êxito e ainda nos dá motivação para tentar realizá-las positivamente. Tudo isso é muito verdadeiro. Mas, o esforço que as pessoas despendem para manter a atitude otimista e o pensamento positivo sempre operantes não se explica totalmente por essas razões. Há muito mais no otimismo das pessoas do que a simples necessidade de se manter a mente aberta para as possibilidades à nossa frente e a disposição em alta para enfrentá-las. É claro que há muito mais. É a simples existência do otimismo que nos denuncia esse fato. Pois, só há otimismo onde há medo do futuro, e o medo nada mais é que a crença na possibilidade de as coisas darem errado. Mas, o que é o otimismo senão a crença na possibilidade de as coisas darem certo? Não é isso, pelo menos, que o otimismo parece ser? Entretanto, quem realmente acredita que as coisas darão certo jamais se torna otimista. Quem de fato nutre essa crença vive como as crianças que nunca se preocupam com o futuro. Se o otimismo ainda persiste apesar de todo nosso esforço em acreditar que as coisas darão certo, então o medo ainda prevalece. Se o medo do futuro não prevalecesse, o otimismo não persistiria. Se o otimismo persiste, então, apesar de todo nosso esforço em acreditar na possibilidade de as coisas darem certo, a crença na possibilidade de elas darem errado ainda é maior. Nosso medo do futuro é maior que nossa confiança nele; é por isso que continuamos otimistas sempre!
A atitude otimista e o esforço em manter o pensamento positivo sempre operante são tão importantes para nós porque jamais aprendemos a enfrentar com maturidade a incerteza quanto ao futuro. Desde que perdemos aquela sensação natural de segurança da infância, direcionamos nossos esforços no intuito de encontrar alguma coisa capaz de nos devolver as certezas perdidas. Mas, as certezas que foram perdidas não podem ser reencontradas; elas nunca foram reais. O mundo real é o mundo da incerteza. Assim, enquanto as incertezas forem, para nós, sinônimo de insegurança, o medo prevalecerá sobre a confiança. Ao invés de sair buscando por certezas, deveríamos ter aprendido a amadurecer nossa relação com a incerteza; deveríamos ter aprendido a encontrar a segurança na incerteza. Não fizemos isso. A lembrança das certezas perdidas era doce demais, e quem já viveu na certeza não aceita a incerteza assim tão facilmente. O esforço de viver buscando no pensamento positivo a certeza de que tudo dará certo produziu em nós tal intolerância com a incerteza do futuro que o menor pensamento de dúvida ou desânimo se tornou capaz de produzir em nós uma ansiedade insuportável. A incerteza se tornou nossa grande fobia. E, para manter essa fobia sob controle, precisamos nos entorpecer com doses diárias cavalares de otimismo e pensamento positivo. É preciso se embebedar de otimismo, mergulhar de cabeça no tonel do pensamento positivo até que a crença num futuro seguro e convidativo se torne delirante. Somos viciados no otimismo; e ao nos deixarmos viciar pelo otimismo, nos tornamos prisioneiros do medo.

30 de agosto de 2016

Hoje fui visitar uma escola e quando lá cheguei havia um aluno do 9º ano (antiga 8ª série) na sala da Diretora. Aguardei que ela fizesse o atendimento dele e quando o aluno retornou à sala de aula, busquei saber qual ocorrência havia determinado sua visita à Diretoria.
A Diretora relatou que o aluno foi encaminhado por dois professores devido ao mau comportamento em classe, marcado por uma agressividade gratuita, principalmente com os professores homens e (descobrimos mais tarde, ao analisarmos melhor a situação), com os professores carecas.
No decorrer do dia a mãe do aluno compareceu à escola e relatou para a Diretora que o filho estava assim desde que ela havia “juntado as escovas” com o João.
Detalhe importante: o João é careca.
Coincidência? Não! Transferência.
O fenômeno da Transferência faz parte da vida de todo ser humano. É irreprimível, pois a pulsão é irreprimível! Segundo Freud é o maior processo da vida. Tudo que fazemos baseia-se em identificações inconscientes que nos levam a fazer escolhas que não sabemos de onde vem, mas que representam projeções do material que recalcamos em nosso inconsciente.
Só para refrescar a memória, recalcar é uma das nossas defesas. O recalque ocorre toda vez que fugimos de algo que desejamos, mas que vai contra os padrões estabelecidos em nosso ideal de ego (valores morais que aprendemos ao longo de nossa vida).
Em outras palavras Transferência é o processo pelo qual o material recalcado “guardado” em nosso inconsciente – desejos, tendências, sentimentos, fantasias, emoções – se atualiza sobre determinados objetos (pessoas (marido/esposas, amizades), coisas (casa, carro, entre outros) e sistemas (profissão, emprego, casamento, por exemplo).
A Transferência pode ocorrer por deslocamento (de sentimentos e emoções) ou por projeção (de desejos, tendências e fantasias).
Há Transferências positivas e negativas. Por exemplo: Você recebe um elogio do seu chefe por alguma iniciativa tomada para melhorar os processos da empresa. Ao retornar à sua sala, elogia sua secretária. Esta é uma situação de transferência positiva. Digamos que você recebeu uma bronca do seu chefe no meio de uma reunião. Acabou o expediente e você foi para casa, lá chegando seu cachorro, feliz por te ver, pula em você, que muito irado o chuta ou repreende com uma grosseria exagerada e desnecessária. Você acabou de fazer uma transferência negativa.
Voltando ao caso do aluno agressivo com os professores carecas, percebe-se claramente o fenômeno da Transferência por deslocamento.
O garoto está deslocando nos professores que lembram o João a agressividade que gostaria de usar com ele, afinal, João é o cara que veio para atrapalhar, para “tirar” dele sua mãe, para “roubar” o amor que deveria ser só seu (ah! o Édipo por aqui!). Na verdade o alvo da raiva do aluno não são os professores, mas a identificação inconsciente que ele faz quando vê a figura do João no professor. Ele está inseguro e bravo com a situação e precisa extravasar isto de algum modo. Por transferência, ele agride os professores, atendendo ao desejo inconsciente de agredir o padrasto.
Cabe à mãe e ao João muita paciência e muito amor para vencer esta situação e ajudar o garoto a superar esta dificuldade, entendendo qual o papel do marido e do filho na vida desta mãe. São dois amores, cada qual com suas características e importância.
Bem... atire a primeira pedra quem nunca fez uma transferência! Ops, cuidado para não tropeçar nas pedras pelo chão!

12 de agosto de 2016

Nelson Rodrigues foi um escritor que sempre criou polêmica com os seus textos. Várias citações dele, até hoje causam discórdia, e uma delas é: “Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais.”
Mas a verdade é que existem mulheres que gostam sim de apanhar, levar uns tapinhas (até música isso virou...), ser tratada como se fosse uma prostituta, etc. E está errado isso? Não! Cada um sabe muito bem o que quer da sua vida, e se de repente se submeter a coisas desse tipo te dá prazer (e também para quem agride, que é sádico), qual o problema disso?
A culpa e o masoquismo, tem uma ligação muito grande (como também o sadismo), e como a grande maioria das pessoas se culpam constantemente dos pensamentos e ações “erradas” que cometem, automaticamente elas permitem ou criam alguma forma de sofrerem algo como forma de abrandar a culpa que possuem. Pode parecer louco, mas resumidamente falando, é assim. Nos punimos constantemente sem perceber, todas as vezes que nós nos condenamos de algo que fizemos errado segundo os nossos valores.
E qual a relação disso com o sexo? Então, você já deve ter lido em alguns dos meus textos sobre a educação que geralmente as mulheres recebem quando pequenas (crianças), e que não é difícil ocorrer aquela situação da menina (seja ela criança ou adolescente) com a mão na vagina, ouvir algo do tipo “tira a mão daí, é pecado isso! É errado!”. Pronto, foi plantado na cabeça daquela menina que sentir prazer, ou se tocar é algo errado, pecaminoso, ou seja, isso gera culpa!! Preciso explicar o motivo então de algumas mulheres gostarem de serem tratadas de uma maneira “humilhante” ou gostarem de sentir dor durante o sexo? Muitas delas tem uma culpa enorme de estarem sentindo prazer naquele momento, e uma forma de redimir essa culpa é permitir ser “punida” durante a relação sexual. Isso também pode ocorrer com os homens, mas nem tanto nesse sentido de se punirem por sentirem prazer (isso não significa que não pode ocorrer), mas em relação a alguma outra culpa que sentem com coisas do dia-a-dia, ou que sentiram quando criança, e que foram taxativamente culpados por algo que fizeram.
O que é diferente, de uma mulher que não sente culpa em ter prazer, e que se “joga de cabeça” durante o sexo, possibilitando sentir prazer seja de qual maneira for, mas sem se punir por aquilo. E também existe a sensação de se sentir dominada pelo macho durante uma relação, que é biológica na mulher. Em todas as espécias, o macho domina a fêmea e praticamente a obriga a se acasalar com ele, e isso está na nossa genética, isso é natural. Todas as mulheres gostam de se sentir protegidas, dominadas, é aquilo que se diz quando um cara “tem pegada”, o que é diferente de apanhar, se sofrer...
Gostaria que vocês entendessem que em momento algum estou julgando se isso está errado ou não, mas sim abrindo para vocês essa discussão. Se para alguns de vocês, sentir algum tipo de dor ou humilhação durante o sexo for bom, relaxem e gozem!

UM SÓBRIO PEDIDO DE DESCULPAS NUNCA É DEMAIS
Temos dificuldade em pedir desculpas. Preferimos deixar que o tempo resolva as coisas. Somos educados para não deixar transparecer nossas mágoas, para passar por cima de pequenas ofensas, para engolir pequenos “sapos”; somos treinados, enfim, para tratar as pessoas que nos magoaram como se nada tivesse acontecido. Assim, quando estamos em falta com alguém, contamos que essa educação e o desejo da outra pessoa continuar de bem com a gente ajude-a a passar por cima do acontecido sem precisarmos nos retratar. Por que agimos assim? Pedir desculpas significa abandonar nossa posição e abrir mão de nossas razões para dar razão ao outro. Esse abandono e esse bater em retirada podem doer bastante quando, no conflito com alguém, a única coisa que nos resta é nossa posição e nossas razões. Numa situação de conflito, o outro em geral também nos machuca; ele também não abandona suas razões e sua posição. Na angustia e na solidão de termos sido machucados por quem não nos dá razão, a única coisa que nos resta é o apego à nossa posição e às razões que temos para também tê-lo machucado. Pode ocorrer também que o outro tenha suas razões para ficar chateado com algo que fizemos sem que a situação envolva conflito: O descumprimento de uma promessa, de um combinado, ou outra coisa qualquer que, aos seus olhos, configure uma falta nossa. Nesse caso, nossa tendência para deixar o tempo resolver as coisas é ainda maior. Fingimos que esquecemos e esperamos que o outro finja ter esquecido que fingimos ter esquecido. Amedronta-nos o fato que, nesse tipo de situação, as razões que temos para ter quebrado uma promessa ou um combinado não seriam aceitas nem por nós mesmos se estivéssemos na condição dele. E como enfrentar as cobranças de alguém quando a única coisa que temos são razões que nem nós mesmos aceitaríamos em seu lugar?
Abandonar nossa posição e abrir mão de nossas razões significa baixar a guarda e nos expor ao outro; significa abandonar uma posição bem guardada para ocupar outra que é frágil e abrir mão das próprias razões para dar razão a outra pessoa. Por medo dessas conseqüências, mantemo-nos firmes em nossa posição e em nossas razões. Mas, não percebemos que a miséria de estarmos privados da relação com o outro torna qualquer posição frágil e qualquer razão sem sentido. Não há posição mais frágil que a do isolamento afetivo e não há razão que seja suficiente quando usada para convencer a nós e ao outro que estivemos certos ao machucá-lo ou ao faltar com ele. O esforço de se manter no isolamento afetivo e de ruminar as razões que justificam nossas ações é extenuante, desgastante e nos fragiliza emocionalmente. A fragilidade emocional resultante de todo esse esforço é muito maior que a temida por nós no ato de pedir desculpas. Apegar-se às nossas razões quando estamos privados de dar nosso afeto a outra pessoa e de receber dela o seu é apegar-se à miséria. E quando a miséria é a única coisa que nos resta, as considerações sobre se nossas razões são corretas ou não se tornam irrelevantes. Ainda que estejamos convictos de não ter sido possível agir de outra forma, há uma pessoa na relação com a qual o afeto se tornou sufocado no processo. Em vista disso, relaxar as defesas e pedir desculpas produz um efeito libertador. A sensação de libertação é evidente quando, pelo menos de nossa parte, abandonamos a posição do isolamento afetivo, paramos de ruminar nossas razões e manifestamos nosso pesar pelos sentimentos de uma pessoa que se machucou por algo que fizemos.
Que importa se a razão está do nosso lado ou não? Mais que pedir desculpas pelo que fizemos, devemos nos desculpar pelo sofrimento que provocamos nos outros. Se há alguém sofrendo por nossa causa, pouco importa se as razões para agir como agimos são suficientes ou não. Um pedido sóbrio e sincero de desculpas nos liberta, nos reaproxima do outro e pode sensibilizá-lo. E, mesmo que ele não se sensibilize e se mantenha ressentido, pelo menos de nossa parte as vias do afeto estarão abertas novamente; estaremos livres do peso de sustentar razões sem sentido e de nos mantermos na insustentável posição do isolamento afetivo. Já que não podemos voltar atrás e desfazer o que já está feito, pelo menos agora estaremos fazendo o possível para que as coisas se consertem. Fazemos a nossa parte e aceitamos a decisão que o outro tomar. Isso já é suficiente para aliviar o peso em nosso coração.

3 de agosto de 2016

Conta uma lenda, que na Idade Média, um religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor do crime era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um bode expiatório, para acobertar o verdadeiro assassino.
O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência. Disse o juiz:
- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever em um papel a palavra INOCENTE e em outro a palavra CULPADO. Você pegará um dos papéis e aquele que você escolher será o seu veredicto.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis com a palavra CULPADO, fazendo assim, com que não houvesse alternativa para o homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem, pressentindo a armação, fingiu se concentrar por alguns segundos a fim de fazer a escolha certa, aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e engoliu. Os presentes reagiram surpresos e indignados com tal atitude. E o homem, mais uma vez demonstrando confiança, disse:
- Agora basta olhar o papel que se encontra sobre a mesa e saberemos que engoli aquele em que estava escrito o contrário.
Por pior que seja sua situação, ninguém conseguirá abater aquele que possuí a fé verdadeira. Mantenha a calma e tenha fé em si mesmo, o resto a vida se encarregará de lhe ajudar, basta ter sabedoria para fazer sua parte.

28 de fevereiro de 2015



Me deixei render aos comentários de todos .,e aí vai...
Após assistir ao filme Cinquenta Tons de Cinza resolvi compartilhar um ponto de vista que não o concebe como um conto de fadas (príncipes não machucam princesas) e nem se detém ao politicamente correto de que um homem jamais poderia bater numa mulher.
Já havia me chamado a atenção, no ano passado, a quantidade de pessoas – especialmente mulheres – de vários países, que devoraram os três volumes desse enredo restrito à turbulenta relação de Christian Grey e Anastacia Steele. Tirei o foco da violência contra as mulheres e pensei em alguns aspectos emocionais presentes nesse relacionamento provocativo capaz de exercer tamanho fascínio ou repúdio. Algumas pacientes, inclusive, manifestaram seu desejo de encontrar um parceiro como Christian. Provavelmente porque para além da riqueza, do luxo e dos mimos sedutores, estamos diante de um encontro emocional profundo e transformador.
Explico: as experiências primárias da vida de uma pessoa deixam um registro no inconsciente de todos. O amor e/ou o desamor tem início na dupla mãe-bebê. As experiências afetivas dos primeiros anos formam uma matriz de um modo de se relacionar que direciona a vida amorosa dos adultos.
Christian carrega no corpo marcas de queimaduras de cigarro como um registro da violência sofrida em seus primeiros anos: uma mãe viciada em crack que também o deixou passar fome. Essas marcas são o retrato das feridas em sua alma. Ele não permite que elas sejam tocadas. Tocar seu corpo é como colocar o dedo nessas feridas fazendo-o sangrar e reviver uma dor intensa. Christian não pode se livrar delas assim como não pode apagar sua história de abuso, de privação, de maus tratos e de desamparo. Ele apenas comunica sua tristeza através das melodias tristes que toca no piano desde muito pequeno. Como defesa frente ao sofrimento e à baixa autoestima, processos psíquicos inconscientes complexos fizeram com que ele desenvolvesse uma personalidade arrogante junto a um narcisismo defensivo. Não é por acaso que ele se utiliza de penas de pavão para acariciar e excitar suas “presas” – penas lindas e coloridas de um animal que ao se exibir é capaz de capturar o olhar de admiração de todos à sua volta. Faltou-lhe, na verdade, um olhar colorido de uma mãe amorosa que refletisse para ele – tal como um espelho - o seu verdadeiro eu. Um olhar constitutivo que pudesse atribuir um sentindo à sua existência. Ao contrário dessa experiência tão importante, Christian refere-se a um mundo interior composto por uma variação de tons de cinza - uma alusão à vida nebulosa que teve, a um contato frio, destituído de afeto e depressivo.
Seus pais adotivos, apesar de amorosos, não conseguiram construir uma relação de intimidade com o filho. Christian volta a sofrer abusos aos 15 anos de idade – dessa vez ligados à esfera sexual – por parte da melhor amiga de sua mãe. Viveu uma relação que se estendeu por seis anos sem ao menos despertar-lhe alguma suspeita do que se passava diante de seus próprios olhos. Assim, a atuação da violência de Christian tem raízes naquelas as quais ele próprio esteve submetido em diferentes momentos da sua formação física, psíquica e emocional. Identificado aos agressores, numa espécie de jogo do contrário, ele passou da impotência à onipotência. O exercício de um controle extremo sobre os outros e do impulso de dominação podem ser compreendidos como uma vingança e como uma compensação de um caos interior. Ao evitar pensar na sua dor emocional ele a coloca na ação. De masoquista ele passa a atuar de forma sádica – ambas faces da mesma moeda. A vida de Christian transcorre dessa maneira até ele conhecer Anastacia. Sua proposta dos jogos sadomasoquistas sofre um abalo quando ele fica sabendo da sua virgindade. Uma virgem parece ter-lhe despertado um anseio de iniciar um relacionamento zerado, fazer um recomeço. Ele busca reparar o impacto de pedir a ela que assine um contrato de permissão para práticas sexuais severas, tratando-a com carinho em sua primeira vez. Desde o início há a presença de um erotismo marcado pelos olhares penetrantes que denunciam a paixão cativante de ambos. Christian num discurso convicto de não “fazer amor” mas de apenas “foder” nega o seu mergulho gradativo e curioso no mundo emocional de Ana e no seu. Ela, com sua meiguice e sinceridade, o leva a baixar a guarda e a se permitir experienciar um novo tipo de ligação. Pela primeira vez ele dorme na mesma cama com alguém, fala sobre lembranças do passado, de seus pesadelos. Pela primeira vez ele parece se sentir com coragem de tocar em suas feridas e com o tempo a autoriza a tocá-las. A entrega de Ana ocorre após ela responder que confiava nele. Na verdade, os dois vão construindo uma relação de confiança básica necessária para a descoberta de vínculos verdadeiramente amorosos.
As dificuldades de uma pessoa encontram caminhos distintos para serem superadas. Um deles é a reparação. Por exemplo: Christian que passou fome na infância, ajuda crianças vítimas da fome na África fazendo generosas doações. Na vida amorosa a reparação pode ocorrer através de uma relação nova, esperançosa e diferente daquelas carregadas de sofrimento. Experiências compartilhadas permitem a descoberta do amor dentro e fora de si. Esse encontro acontece entre Christian e Ana desde o início. Ambos ficam absortos um no outro interessados em desvendar os mistérios de cada um.
Ana se arrisca. A mãe amorosa de Ana deixa de ir à sua formatura optando em ficar em casa com o atual marido que tinha se machucado. Ana parece não ser tão especial para a mãe quanto seus maridos.
Nessa perspectiva, o encanto que Christian provoca em Ana, e parece repercutir em muitas almas femininas, parte da presença constante dela na mente e no coração dele. Existir para alguém é ocupar um lugar especial na vida de uma pessoa e no mundo - uma necessidade humana importante. Esse desejo se potencializa naqueles que tiveram esse tipo de falha em suas primeiras vivências. O desejo passa a ser então o de ter um olhar dedicado, com sintonia e sonho – uma nova edição - tal como uma boa mãe devotada ao seu bebê. A experiência de continuidade e a empatia de Christian e de Ana os levam a ir ao encontro das necessidades físicas e emocionais um do outro, reparando certos danos que sofreram no passado. Bem maior que o valor material dos presentes que ele lhe dá, é esse valor afetivo da presença de um dentro do outro.
Não é novidade para ninguém que os relacionamentos amorosos são complexos e todos os encontros inéditos. Os comportamentos sádicos e masoquistas, entre outros tipos de perversão, fazem parte do imaginário coletivo. Aqueles que desconhecem esses seus impulsos naturais podem desenvolver patologias neuróticas por vezes bastante dramáticas. Relações amorosas não seguem uma cartilha, não se encaixam em padrões normativos e julgamentos morais limitam a nossa compreensão. Como Christian e Ana, as pessoas que se arriscam encontram maneiras próprias de conviver com seus desejos contraditórios, com o prazer e a dor. Quero ressaltar que conhecer os próprios impulsos não é sinônimo de sair por aí maltratando, machucando e violentando verbalmente e fisicamente ninguém. Mas poder sentir-se livre da culpa gerada pelas fantasias que perturbam muita gente. É aceitar a condição humana composta não apenas de sentimentos e pensamentos nobres, bondosos e generosos. Claro que eles também existem. E na maioria dos casos predominam. Entretanto, impulsos de vida e de morte coexistem e não são fáceis de serem administrados individualmente e nem na relação com o outro. Portanto, não há de se esperar que os relacionamentos transcorram de forma linear. São dinâmicos cheios de curvas, atalhos e por vezes, abismos, destoando da paz paralisante de uma estrada reta que muitos gostariam de encontrar. Nesses termos esse filme perturba e atrai por revelar tais contradições. As pessoas se identificam nas vivências de amor, de desamor e podem se remeter à própria história - já que não existe um ser humano sem a sua história.
Ana testa seus limites e termina o relacionamento com Christian quando sente que ele os ultrapassou. Essa atitude estabelece um limite necessário para o surgimento do novo. Ele parece que não contava com isso. A partir da separação ele não consegue mais manter a negação acerca de seus sentimentos e volta a procurá-la. Ana surge em sua vida como uma esperança de ele encontrar uma luz em seu universo sombrio.Tere Yadid Sztokbant



17 de fevereiro de 2015

Não exija que a criança compreenda tudo antes do momento certo

O ser humano leva 21 anos para adquirir maior consciência das coisas. Esse tempo é o tempo que o sistema nervoso central leva para mielinizar todas suas células nervosas, isto é, deixa-las maduras. Essa bainha de mielina é a responsável pelas conexões nervosas (sinapses) entre os neurônios. Nos primeiros anos de vida, até a troca dos dentes, por volta dos seis anos, a mielinização para a aprendizagem está sendo formada. A consciência da criança está ainda num estado de sono nesta etapa da infância,ou seja, ela não tem consciência das coisas como nós adultos já a temos. Por isso que a criança é criança e depende de nós para tudo. Ela não tem discernimento, crítica e julgamento ainda sobre as coisas da vida. Ter consciência significa fazer as sinapses entre os neurônios. Nas sinapses há um dispêndio de energia muito grande. Por isso que quando prestamos atenção em algo ou

16 de fevereiro de 2015

Motivos pelos quais as crianças fazem birra e como lidar com elas.

É inevitável. Cedo ou tarde, seu filho vai protestar contra alguma regra ou pedido que não foi concedido da pior maneira possível: chorando, gritando ou atirando-se no chão. Se for em público, o espetáculo costuma ser mais teatral ainda. Mas, por que, de repente, aquela criança tão amável se comporta assim? “A birra é simplesmente uma maneira de a criança demonstrar seu desacordo com o que o adulto determinou. Trata-se de uma manifestação comum, pois ela está aprendendo a viver em sociedade, o que implica seguir normas”, explica a pedagoga Neide Noffs, coordenadora da Faculdade de Educação da PUC-SP. Ela lembra que ninguém gosta de ouvir ‘não’. “A nossa primeira reação é contrariar, a segunda é refletir e, só na terceira é que, provavelmente, vamos ouvir. Se formos compreendidos e tratados com respeito diante da nossa frustração, as chances de mudarmos de ideia são maiores, certo?”. Com as crianças ocorre o mesmo. Portanto, antes de perder a razão, lembre-se de que o seu filho ainda é imaturo emocionalmente e, somente por volta dos 8 anos de idade, saberá enfrentar melhor as frustrações que a vida lhe impõe. Em geral, de acordo com a especialista, as crises acontecem fora de casa, exatamente porque o filho quer chamar a atenção e testar os pais, na tentativa de conseguir que suas vontades sejam atendidas. E o que faz com que algumas crianças sejam mais birrentas do que outras? Em parte, o comportamento é explicado pela personalidade, mas também há uma influência da reação dos pais. Veja, a seguir, como reagir diante de um ataque de fúria. O que fazer Desde os primeiros meses de vida, o bebê entende que, se chorar, será acolhido ou dará um fim àquilo que o incomoda (fralda suja, fome, frio, etc.). Mas isso não significa que está fazendo manha, é apenas uma maneira de se manifestar. “A partir do primeiro ano, entretanto, os pais devem ficar mais atentos para não treinar comportamentos negativos”, orienta a psicóloga Lidia Weber, professora da professora da UFPR e autora de “Eduque com Carinho” (Ed. Juruá). Como ceder ao choro e deixar o bebê brincar com um um objeto potencialmente perigoso, por exemplo. Uma vez que os pais cedem – seja por cansaço, culpa ou para evitar a birra em público– , a criança aprende que, dessa forma, terá tudo o que quiser e na hora que quiser, segundo a psicóloga. A recomendação é, em todas as idades, ignorar a birra. “Simplesmente vire as costas e continue o que estava fazendo”, sugere Lidia. Caso seu filho exagere e se jogue no chão no meio do shopping ou do supermercado, leve-o para outro lugar (para casa, de preferência), a fim de acalmá-lo. Já se ele estiver machucando a si mesmo ou a outras pessoas, é preciso intervir. Segure-o e, olho no olho, diga ‘não’ com firmeza. Jamais aos gritos ou com violência. Faça combinados Tente antecipar as situações que podem levar a uma crise de birra. Antes de sair de casa, explique aonde vão e como seu filho deve se comportar. Além disso, conte quais podem ser as consequências, positivas e negativas, para cada atitude que ele tiver. Mas também tenha em conta os limites da criança. Não adianta levá-la às compras durante horas. Ou, se ela costuma tirar uma soneca após o almoço, mantê-la acordada sem pausa. Em algum momento, ela vai ficar cansada e impaciente. Aí, é mais provável que um surto de birra venha à tona. Sheila Soares

11 de fevereiro de 2015

Narrativa do Mito de Eros e Psique!
Correndo o risco de ser enfadonho, vou publicar hoje a narrativa do mito. Me explico: De que adianta publicar uma análise e comentar se pode ter gente que não conheça o mito? Então, aos que já conhecem: Perdão! Mas vou contar a historinha ... rs O MITO. “Uma história de amor e ódio” EROS é o amor personificado; o desejo dos sentidos. PSIQUE é igualmente a alma personificada. “Em certa civilização havia um rei e uma rainha que tinham três filhas lindíssimas. As duas mais velhas, ainda que fossem também muito belas, podiam perfeitamente ser celebradas por louvores dos homens, mas não havia linguagem humana capaz de descrever ou pintar a formosura extraordinária da mais moça. Muitos a proclamam como a nova deusa do amor, ameaçando assim o trono da soberana Afrodite, mãe de Eros. Preterida e abandonada a deusa planeja e prepara a vingança contra a jovem Psique, formosa, bela e sedutora da alma e da inteligência humana. “Uma beleza metafísica”, assim é Psique. Ao par do perigo que a cerca, a Grande Mãe, impulso físico do mundo, Afrodite, querendo evitar o confronto de beleza, a deusa chamou seu filho Eros, menino alado e de maus costumes, corruptor da moral pública e provocador de escândalos, o desejo dos sentidos, e deu-lhe uma incumbência urgente. Levou-o à região onde vivia a linda Psique, e pediu-lhe que a fizesse apaixonar-se pelo mais horrendo dos homens. Sim, porque Eros simboliza o Cupido, Sagitário, o arqueiro do amor, que com suas flechas “envenenadas” espalha o amor em todos quantos consegue atingir, sem distinção, fazendo juntar e separar casais e “si mesmos”, que se gosta e desgosta de acordo com as correntezas ou maresias do amor e a necessidade constante de fugir ao ódio ou a morte de si. Beijou-o, muitas vezes, com os lábios entreabertos e retornou ao seu habitat preferido, o bojo macio do mar. O rei, casadas as duas filhas mais velhas e temendo, como Liríope, a cólera dos deuses por causa da beleza da mais jovem, mandou consultar o Oráculo de Apolo em Mileto. A resposta do deus foi direta e aterradora: Psique, coberta com uma indumentária fúnebre, deveria ser conduzida ao alto de um rochedo, onde um monstro asqueroso com ela se uniria. Eros, entretanto, que em lugar de ferir com suas flechas a jovem donzela, havia sido ferido por ela, ordenou ao vento Zéfiro que a transportasse para um vale macio e florido, que se estendia na orla da montanha. Após descansar de tantas emoções e restaurada faltando um sonho vivificador, a jovem princesa se ergueu e viu logo, cercado por um bosque, à beira de uma fonte, um palácio de sonhos: as paredes eram recamadas de baixos-relevos de prata; o pavimento, confeccionado de mosaicos de pedras preciosas; os imensos salões tinham paredes de ouro maciço. Naquela mesma noite da chegada da princesa ao vale dos encantos, Eros, sem se deixar ver, fez de Psique sua mulher, mas, antes do nascer do sol, desapareceu rápida e misteriosamente. Toda noite Eros voltava ao vale e desposava a princesa e partia incógnito e a jovem acabou por acostumar-se à sua nova existência: as Vozes, atentas e solícitas, apaziguavam-na da solidão. A Fama, uma divindade que simboliza “a voz pública”, fofoqueira, porém, denunciou a aventura de Psique e as irmãs casadas, tristes e cobertas de luto, deixando seus lares, apresentaram-se em visitar e confortar os pais. Eros pressentiu a ameaça que pesava sobre a felicidade do casal e avisou a esposa do perigo iminente: as irmãs, dentro em pouco, viriam até o rochedo para chorá-la. Psique deveria fazer ouvidos moucos ás suas lamentações e nem sequer “olhar para ela”, para não incidir no mesmo erro de Orfeu... A jovem esposa tudo prometeu, mas tão logo o amante retirou-se, incógnito com sempre, Psique se viu mais que nunca prisioneira da própria felicidade, impedida de consolar e até mesmo de ver suas irmãs (fofoca). Usando de persuasão e muita astúcia e sedução, Psique consegui arrancar do esposo permissão não apenas para vê-las, mas ainda o consentimento para que Zéfiro as transportasse até seu palácio paradisíaco. Entorpecido, Eros concordou com tudo, mas recomendou-lhe e implorou que jamais tentasse ver-lhe o rosto, por mais que as irmãs insistissem nesse ponto. O encontro, a princípio, foi uma festa, um êxtase. às Lágrimas de dor sucederam as manifestações de alegria e regozijo. Persuadida pelo o ambiente do encontro, a ingênua Psique ia-lhes abrindo os segredos de sua doce ventura, a abundância de suas riquezas, as sementes da inveja começaram a germinar-lhes no coração. Embaraçando-se cada vez mais com as perguntas de uma das irmãs, Psique tratou-se de inventar respostas e, cumuladas as irmãs de ouro e joias, fez que Zéfiro as levasse de volta ao rochedo. Mas agora envenenadas pelo fel da inveja, começaram a questionar e confrontar a vida delas com o destino luminoso da irmã mais jovem. Eros, naquela mesma noite, voltou a advertir a esposa: Não vês o perigo que de longe te ameaça ? Se não procederes com a máxima cautela, o destino se abaterá sobre ti. As bruxas traiçoeiras esforçam-se porte armar uma cilada e a pior armadilha é persuadir-te a contemplar meu rosto. Já te adverti muitas vezes de que nunca mais o verás, se o contemplares uma única vez (...) Dentro em breve teremos um filho. Ainda uma menina, dará à luz uma criança. Se guardares nosso segredo, ela será um deus; se o propalares, será tão-somente um ser mortal.Os dias se passaram rápidos e o esposo noturno voltou, desta feita, mais incisivo em admoestá-la de que chegara o momento decisivo: as bruxas já se aproximavam, prontas para destruir-lhe a paz e a felicidade. “Deixa-as uivar do cume do rochedo, como as Sereias, com sua voz fúnebre”. Novas lágrimas de Psique, novas promessas, novas juras de amor e o deus apaixonado novamente se curvou aos caprichos da esposa. As conspiradoras, entretanto, tal era a presa em executar seu plano sórdido, tão logo chegaram ao alto do rochedo, nem mesmo esperaram faltando Zéfiro, lançando-se temerariamente no abismo. A contragosto, o Vento as acolheu e depositou no solo. Com fingida alegria congratularam-se com a irmã pela gravidez, conseguindo, desse modo, desfazer qualquer suspeita. Em seguida, vieram as perguntas, sempre as mesmas: queriam saber quem era o marido de Psique. Esta, em sua ingenuidade, se contradisse: na primeira visita dissera-lhes que o esposo era um jovem lindíssimo e agora o descreveu como um homem de meia-idade, um riquíssimo comerciante. Era o que lhes bastava: ou a irmã estava mentindo, e o marido era um deus, ou ela simplesmente ignorava seu aspecto. De qualquer forma, era preciso destruir a prosperidade de Psique. Passaram uma noite em claro em casa dos pais, matraqueando o plano que deveria ser colocado em prática, já pela manhã, estavam novamente no palácio de Eros. Com fingida e cínica preocupação, mostraram à irmã o perigo que a ameaçava. Quem à noite se deitava a seu lado não era um homem, mas uma serpente enroscada em mil anéis, com as faces túrgidas de peçonha, a boca larga como um abismo. Lembraram-lhe o Oráculo de Apolo que a predestinava a unir-se a um mostro, reforçando seu intento diabólico com a mentira: a medonha serpente, segundo camponeses e caçadores da região, têm sido vista à noitinha, atravessando o rio vizinho em direção ao palácio. O mostro aguardava apenas o momento oportuno para devorá-la, bem como à criança que ela trazia no ventre. Elas, porém, as irmãs, ali estavam prontas para ajudá-la! Transtornada, Psique confessou-lhes a verdade: jamais contemplara o rosto do marido e pediu-lhes súplice que a protegessem e assistissem. Vendo que tudo estava aparelhado para o plano sinistro, há muito arquitetado, uma das bruxas o transmitiu à insegura e desditosa esposa de Eros: deveria ela preparar um punhal bem afiado e um candeeiro de luz bem forte. Quando a “serpente imunda” mergulhasse em sono profundo, seria o instante propício: iluminar-lhe cuidadosamente o rosto e de um só golpe cortar-lhe a cabeça. Embora tivessem prometido que permaneceriam a seu lado, até a “execução do mostro”, tão logo perceberam que o veneno fizera seu efeito, apressaram-se em deixá-la. Sozinha, com o espírito transtornado, Psique se agita e parece decidida a perpetrar o crime, mas eis que subitamente hesita, depois resolve; vacila outra vez, desconfia das irmãs, se enfurece, lembra-se dos ternos abraços do esposo... Seria ele, realmente, uma serpente imunda ? Psique num mesmo corpo odeia o monstro e ama o marido. Eis a ambiguidade do amor ; monstro ou fada, medo e curiosidade. Eros a seu lado dormia tranquilamente. Como fora de si, a jovem esposa reuniu todas as suas forças: numa das mãos o candeeiro, na outra o punhal. Muito de leve aproximou a luz do rosto do marido. Estava revelado o grande segredo: viu a mais delicada, a mais bela de todas as feras. Eros, o deus do amor, ali estava diante de seus olhos. Tomada de pânico, a jovem quis matar-se, mas o punhal se lhe escorregou da mão. Percebendo ao lado do leito a aljava e as flechas do deus, ao tocá-las, acabou ainda por ferir-se com uma delas. Agora, mais do que nunca, sua paixão seria eterna. Inflamada de amor, inclina-se sobre ele e começa a beijá-lo como louca. Esquecida do candeeiro, deixa-o curvar-se em demasia e uma gota de azeite fervente cai no ombro do deus adormecido. Eros desperta num sobressalto e, ao ver desvendado seu segredo, levantou voo no mesmo instante; sem dizer uma só palavra, afastou -se rapidamente da esposa. Esta ainda tentou segui-lo através das nuvens, segurando-lhe a perna direita, mas, exausta, caiu ao solo. Foi então que, descendo das alturas celestiais e pousando num “cipreste”, Eros falou à sua amada: Quantas vezes não te admoestei acerca do perigo iminente, quantas vezes não te repreendi delicadamente. Tuas ilustres conselheiras serão castigadas em breve, faltando suas pérfidas lições; quanto a ti, teu castigo será minha ausência. Estava decretado o início do itinerário doloroso de outra Psique. Fora de si, a princesa, desejando morrer, lançou-se às correntezas de um rio próximo, mas as próprias águas, numa corcova, repuseram-na em terra. Para nosso propósito a narração do Mito em si encerra-se aqui . Amanhã, postarei comentários e análise do mito. Fraterno abraço;

18 de março de 2014

A Morte



Perdas não são fáceis. Principalmente de pessoas queridas e que nos trazem boas lembranças, que fazem parte do nosso cotidiano e deixam um vazio tanto internamente como externamente. Nesse processo, tomamos consciência de nossa própria finitude, e consequentemente nos perguntamos qual o sentido desse percurso que chamamos de vida, e que parece vir do nada e terminar no mesmo lugar de onde veio. Como falar então dessa experiência tão intensa e muito difícil de ser comentada por se referir ao vazio de significado, ao silêncio, ao luto.
Quando convivemos com alguém, aquela existência passa a fazer parte da nossa. Existe um grau de simbiose nas relações profundas e duradouras. A pessoa se torna parte de nós visceralmente. A experiência dessa perda pode ser comparável, em alguns graus, à perda de uma parte de nosso próprio corpo, pois vivemos o mundo em carne. Essa perda nos releva também nossa impotência e incapacidade de controle frente à vida. Um evento súbito pode destruir nossas estruturas, sonhos e planos como se fossem castelos de cartas ao vento, nos mostrando principalmente que não somos aquilo que perdemos, e muito menos temos controle absoluto a respeito.
Tarô de Marselha-Camoin
Para entendermos um pouco sobre o inominável, acredito importante discutir a morte enquanto símbolo coletivo e representado pela carta número treze no tarô. Ela é famosa por representar a morte, no entanto é a única carta dos arcanos maiores que não possui nome, apenas número. Isso representa a característica inominável da morte – não se fala sobre a morte – como não se “escuta” o som nas pausas de uma música, as palavras precisam de espaços que as separem para serem compreendidas e a experiência de morrer que inevitavelmente teremos todos em silêncio. O numero treze pode ser interpretado como a superação do anterior, o doze, que tem várias representações relacionadas a ciclos (entre elas o ciclo dos doze signos do zodíaco, os doze meses do ano). O treze seria o rompimento dos ciclos, e, por consequência, da continuidade da vida na forma como a conhecemos. Jesus com seus doze apóstolos na santa ceia, onde revela que haverá um traidor entre eles e sua posterior crucificação é um exemplo da simbologia do numero ligada ao fim, assim como justifica, em parte, a superstição em torno dele. O esqueleto representa aquilo que temos de mais primordial, e que se preserva mesmo após a morte, assim como as cartas do castelo continuam intactas, apenas o castelo em si ruiu. A foice em um campo de restos humanos representa a colheita, indicando que, assim como o trigo de uma plantação, estamos prontos para sermos colhidos e utilizados para os propósitos incompreensíveis do ciclo de vida e morte. Assim como o trigo não sabe que se tornará farinha e depois pão, somos inconscientes do nosso propósito último de existência e nem se ele existe.
A busca por um propósito que justifique nossa existência é o grande motivo do surgimento das religiões. A angústia por não compreendermos de forma consciente porque estamos aqui vivendo, nos leva a essa busca pela transcendência na expectativa de descobrirmos o que esse “ceifador” deseja de nós afinal. Nesse sentido, a religiosidade faz parte de nossa estrutura psicológica, mesmo que nem sejamos religiosos, pois necessariamente precisamos de um sentimento de propósito para nossa existência para conseguir seguir em frente. A fé apenas se desloca para outros propósitos e crenças, mas não pode ser totalmente retirada. Sempre existirá algo fundamental que não daremos conta de questionar efetivamente por representar as nossas certezas e motivos de existência.
No filme O Sétimo Selo (1956) de Ingmar Bergman, um cavaleiro medieval, em meio a peste negra, tenta vencer a Morte em um jogo de xadrez a fim salvar sua vida e buscando um propósito para ela.
 A morte então, para além apenas de um processo de sofrimento, é também um trampolim para darmos outros significados a vida e possibilitar sua renovação. Ela é necessária em nossas vidas para que possamos criar novas realidades para nós mesmos e nos permitir arriscar novas experiências e novos castelos de cartas, de areia ou quem sabe de tijolos – a vida levará todos eles – e esses ciclos trarão alegrias e tristezas, e cima de tudo, movimento e criação. Não existe criatividade sem morte e angustia que sejam seus motores. 
Para além desses ciclos (numero treze, superando o doze, como falamos antes) as questões reais são - por que estamos fadados a construir castelos que serão destruídos? Qual o sentido da vida? – se você não tem nomes para isso, mas sente de forma inominável alguma coisa com essas perguntas, significa que algo ai dentro se move rumo ao novo e a uma experiência mais profunda de existência.
Reblogado de Psicolinebrasil

25 de janeiro de 2014

Pode não ser da área da saúde, mas que faz bem a ela isso faz...

"Para alguém especial"


“Quero te colocar dentro do meu cobertor, te malinar, te morder até você me pedir para parar. Quero beijar teu pescoço, tocar seu lábio com o dedo, e logo após te beijar, eu quero. Quero cuidar de ti, te chamar de bebê, te mimar até o amanhecer, ah como eu quero! Quero dormir ao teu lado, para em plena madrugada poder te abraçar, sentir teu calor, apertar sua mão bem forte, e sussurrar perto de teu ouvido, “vida, eu te amo”. Eu quero te guardar, te proteger, secar suas lágrimas, te dar broncas e conselhos. Eu quero morar com você, dividir meu sanduíche, te dar comida na boca, fazer cócegas em sua barriga, pedindo beijos em troca, para que eu pare com brincadeira. Quero te chantagear, se não me der beijinhos eu vou chorar. Quero fazer birra, eu quero te amar. Quero poder te levar pra passear, te guiando,de mãos dadas, eu quero te abraçar fechando meus olhos, sentindo segurança, te passar confiança. Quero que você me conte seus segredos, e chore suas magoas, fale de meus defeitos, eu quero que você converse comigo, eu quero te abraçar e dizer que você é tudo em minha vida, sem motivo algum. Quero te presentear com um ursinho, sem que seja aniversário, ou dia de natal, sem motivos exatos eu quero te dizer te amo. Quero roubar um beijo teu e sair correndo sem rumo, quero puxar teu cabelo e pedir desculpas fazendo biquinho, passando meus dedos levemente sobre seu rosto. Eu quero te acordar de manhã cedo, com um beijo. Eu quero te arrepiar com mordidas em sua orelha, eu quero te salvar de algum problema. Quero viajar com você, gastar meu tempo ao seu lado, só com você. Quero te fazer esquecer dos problemas lá fora, quando dentro haver só nós. Eu quero sorrir para você, quero analisar cada detalhe de seu rosto, de seu corpo. Quero amar seus defeitos, e me apaixonar por suas qualidades. Quero observar suas manias, teu jeito de falar e sua maneira de andar. Eu quero parar no tempo quando estiver com você. Eu quero fazer cafuné em sua nuca, eu quero ninar até você dormir. Quero brincar de adedanha, jogar video-game, quero deixar você ganhar. Quero que você grite comigo, quando eu fizer algo de errado, quando estiver muito brava. Eu quero. Eu quero te dar a minha jaqueta quando estiver com frio, e esquece-la de propósito com você. Eu quero te ligar em plena madrugada, só para ouvir sua voz de recém acordada. Eu quero ser a primeira pessoa a te desejar feliz aniversário, quero te acordar com um telefonema, e de tardinha, entrar em sua casa sem que você saiba, e deixar vários presentes e cartas sobre sua cama. Quero colocar uma flor em segredo dentro de sua mochila. Quero te trazer para o meu mundo, e também poder visitar o seu. Quero aprender matemática contigo, quero escutar seu sotaque, quero também estudar para o vestibular com você. Eu quero recitar poemas bregas para ti, em plena tarde quente. Quero te levar para o fim da praia, e te obrigar a catar conchinhas comigo. Quero pescar com você, quero dividir um chiclete boca-a-boca contigo. Quero cuidar de ti quando estiver doente, receitar remédios que nem mesmo sei o que é, para te ver melhor logo. Quero te beijar mesmo você estando gripada, eu quero de manhã cedinho, dizer o quanto é linda, sem maquiagem e de cabelo despenteado. Eu quero. Quero passar por apuros ao teu lado. Eu quero te fazer ciúmes, ao ponto de você não querer nem olhar em minha cara, eu quero te ver furiosa, porque tudo que vem de você, faz meu corpo se arrepiar, minha barriga borbulhar e meu coração pulsar sem controle, meu sangue corre sem destino. Eu só quero que você me ame, mesmo com essa distância separando nossa física. Eu quero que meu coração esteja junto ao seu mesmo estando longe, eu quero poder te fazer sorrir com palavras minhas, eu quero te amar, te desejar, sonhar realidades. Por que? Porque eu te amo, e não consigo viver sem você, você é inspiração de minhas palavras sinceras que saem de meu coração, você é a garota que mudou meus dias… para melhor.”

17 de janeiro de 2014



O que acontece quando nossas emoções ficam guardadas no corpo

 Artigo Original de Kate Bartolotta em The Good Men Project





Nunca é tarde demais para prestar atenção nas emoções não expressadas que arquivamos no corpo, que se manifestam através de dores, desconforto e tensões.
Quando olhamos para a linguagem que usamos para falar das nossas reações emocionais, normalmente existe uma sensação física associada a elas: um caroço na garganta, borboletas no estômago, falta de ar, o peso do mundo nos ombros. Isso não é mera coincidência. Essas reações viscerais são mensagens do nosso corpo.
Chamamos de "conexão entre mente e corpo". Essas reações são associadas com o uso da mente - através de pensamentos positivos - para ajudar a melhorar o estado geral do corpo, sua imunidade e provocar sensação de bem estar. Embora usar a mente para atingir o corpo seja extremamente útil e preciso, não podemos ignorar que nosso corpo pode também ser uma forma de acessar e tratar nossas emoções mais escondidas.
A maioria de nós pode se lembrar de um tempo quando expressar uma emoção era desencorajado pelos adultos que nos cercavam. Pais ainda dizem para as crianças que "sejam valentes", ou "engulam o choro". Ou ainda diminuem suas sensações de dor com o clássico "não foi nada". Nossos corpos simplesmente gravam aquilo que acontece com nossas emoções - mesmo que tenhamos sido convencidos intelectualmente a lidar com elas, ou a ignorá-las. O impacto físico e emocional de dores e sentimentos não expressados é algo que perdura. Fica marcado.
Abaixo há uma ilustração de padrões típicos de emoções guardadas no corpo, reconhecidas pelas entidades de trabalhos corporais. Cada pessoa desenvolve também seus padrões individuais, mas esses são alguns dos padrões mias comuns:



Nossos corpos sabem das coisas que nossas mentes gostariam de se livrar. Das coisas que estão esquecidas em algum nível de consciência, estão sempre presentes concretamente no corpo. A boa notícia é que nunca é tarde para acessar esses assuntos, e que os resultados de um olhar para o corpo, podem afetar tanto o plano físico como o mental e emocional.

Alguns passos que você pode dar para liberar emoções mal resolvidas:
1) Encontre uma atividade física diária que você goste. Perceba, não se trata de "faça exercício". Cuidar do corpo é importante, mas a intenção aqui é ser feliz, através do olhar para o corpo. Portanto tem que ser alguma atividade que amamos fazer. É interessante também que seja algo que acalme um pouco a mente. Muitas pessoas encontram na ioga, nas corridas e outras atividades do gênero esse componente meditativo. Pode ser simplesmente uma caminhada silenciosa de dez minutos, onde você pode prestar atenção na sua respiração e outras sensações corporais.

2) Receber algum trabalho corporal com frequência. Massagens terapêuticas são uma das formas mais efetivas de se liberar emoções guardadas. Quando alguém trabalha nos nódulos do pescoço, onde guardamos estresse e raiva por tanto tempo, as emoções começam a vir à tona. É comum ver clientes chorando nas mesas dos massagistas. É importante somente lembrar que os profissionais de terapias corporais não são psicoterapeutas, portanto são tidos como agentes auxiliares para liberar as emoções e iniciar o processo de cura, individual de cada um, que pode necessitar em outro momento de ajuda de outros profissionais.

3) Fazer do toque parte integrante de nossos relacionamentos primários. Isso soa simples, óbvio até. Mas infelizmente podemos nos deixar levar pela cultura do "não-me-toque". Menos e menos das nossas interações diárias envolvem o toque. Na medida que apoiamos nossas estratégias de comunicação nas mídias sociais e demais tecnologias, nossos relacionamentos tem menos contato corpo a corpo do que precisamos. Encoste nas pessoas, nos braços ou ombros, quando fala com elas. Cumprimente os amigos com um abraço. Vá jogar basquete com os amigos, ao invés de assistir na TV. Quando começarmos a compreender que não somos mentes presas dentro de um corpo, e sim mente e corpo atuando em perfeita harmonia, podemos começar a curar velhas feridas de uma forma mais profunda e duradoura.

16 de janeiro de 2014



Para que serve a Psicanálise? Quando procurar um Psicanalista?

 

 

 

A Psicanálise serve para tratar, reduzir, amenizar e curar as dores da alma. Auxilia a reencontrar o sentido da sua vida, do existir, em decorrências das perdas, conflitos e desilusões que ocorrem hoje ou foram acumuladas no decorrer dos anos.
A audição da própria história em um relacionamento empático e confiável – com a técnica psicanalítica – proporciona a percepção e a reorientação de si mesmo. Promove a descoberta que a fórmula mágica da felicidade está na ressignificação das escolhas que fazemos das falsas expectativas que geramos, das angústias que não sabemos diluir, nos padrões inconscientes que buscamos, ou seja, a fórmula mágica – que não se encontra em nenhuma prateleira – está no amadurecimento emocional, na autoestima equilibrada, no uso da criatividade edificante, nas escolhas responsáveis que fazemos e na adaptação com a realidade da vida e na ressignificação do passado.
A Psicanálise não busca resolver os sintomas de forma superficial, de forma paliativa e temporária, mas encontrar sua causa, e a transformar de forma profunda e duradoura, a fim dela não se deslocar para outras áreas da vida. Quanto tempo demora? Depende da própria individualidade, do seu desejo de mudança e amadurecimento psicoemocional.
Quando procurar um Psicanalista?
Navegando na contramão da banalização do ser humano, frente às terapias medicamentosas rápidas e de baixo custo – há situações da necessidade efetiva do medicamento – fruto da cultura do consumo, da eficiência da produtividade, do prazer pelo gozo, da onipotência mercantilista, do amortecimento sensorial, a Psicanálise resgata e valoriza o que há e mais sagrado no ser humano, além da sua humanidade: sua capacidade em expressar seus sentimentos e emoções frente seus desejos e as experiências vivenciadas!
Ampliando o entendimento, deve fazer análise quem passa por situações de tristezas, depressão, estresse, tem ou teve perdas não superadas, (materiais, financeiras, amorosas), sofre de fobias, está vivendo sobre forte pressão nos relacionamentos intra e interpessoal, tem um padrão de comportamento que só traz angústia e sofrimento, sofre de doenças psicossomáticas, de dependência química, é familiar ou convive diretamente com um dependente químico, tem problemas no relacionamento amoroso.
Quando se avizinham os sintomas do chamado “mal estar da sociedade contemporânea”, o momento é certo! Os sintomas de pressão começam a se tornarem insuportáveis e deprimentes, observados quando:
   A individualidade competitiva e onipotente se sobrepõe aos valores éticos e morais que devem brindar seu caminho da individualização;
    A desconfiança torna-se severa inimiga, degolando a afetividade nas relações e buscando o isolamento emocional e social, pelo medo da usurpação de si mesmo;
    A agressividade, a prepotência e a arrogância, permeiam o vocabulário trivial, e inconsciente, e tem-se o desejo da destrutividade do outro ou de si mesmo – como um sentimento de aniquilamento que aniquila o diferente; diferente o outro ou o diferente dentro de si mesmo;
   Quando a autossuficiência já nos concedeu o dom de super-homens e super-mulheres, imunes, superiores, seres perfeitos e destinados a serem servidos e obedecidos, por pura ambição ou formação reativa do complexo de inferioridade inconsciente;
   Quando a afetividade esvaiu-se em meio a pensamentos obsessivos e atitudes compulsivas, como uma medida de sufocamento sensorial nas relações, deixando de sentir e refletir, e passando a reagir, como uma forma de controlar emoções, objetivando não mais pensar ou agir;
   Quando a onipotência narcísica inicia seu processo de desagregação psicoemocional, rompendo as relações na família, no trabalho na vida social e consigo mesmo;
    Quando insisto em querer e manter de qualquer forma aquele objeto (pessoa, coisas), como único capaz de dar a paz e a felicidade que não tenho, numa explícita demonstração de apego e dependência emocional;
    Quando a consciência – o superego – que busca nos defender – se volta contra a própria pessoa, promovendo uma punição física ou psíquica, materializada principalmente em doenças psicossomáticas e neuroses diversas;
    Quando, fechado em suas fantasias fantasmagóricas, esta inundou a realidade, a ponto de afogá-la, produzindo sintomas psicopatológicos;
    Quando as defesas para me manter em cima são puramente regressões infantis, a fim de manter a onipotência, numa clara defesa instintiva e primitiva;
    Quando pouco importo pelos sentimentos do outro, servindo-se este apenas como um objeto, uma coisa, para alcançar meus objetivos de gozo e supremacia narcísica;
    Quando não consigo controlar o impulso – o desejo, forte, poderoso, dominador e avassalador – e me entrego, dementado a sua realização imediata e aliviadora, para logo em seguida buscá-lo de forma desenfreada;
Abaixo algumas ampliações
 Angústias sem “causa” aparente, Doenças Psicossomáticas, Transtornos de Personalidade,  Solidão ,   Dependência Química ,   Dependência química  ,  Perda Afetiva   , Dependência emocional ,   Luto ,   Transtorno Obsessivo Compulso – TOC ,   Depressão ,   Estresse ,   Ansiedade  ,  Síndrome do Pânico  ,  Fobias  , Dificuldades familiares   , Conflitos no Casamento,    Separações do casal ,   Timidez,    Baixa autoestima,    Transtornos do orgasmo,    Comportamento autodestrutivo,    Problemas no trabalho ou estudo.
Psicanálise & Terapia
Mozart Monte
Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Psicanalista Crpa1171010br
Clínica Ser

A vagina dentada

 

 

 


Sigmund Freud não mencionou a expressão ou descreveu algum sintoma em relação a “vagina dentada”, até porque contrariaria a essência da sua teoria da castração, mas o fato é que antropólogos encontraram em diversas culturas mitos e histórias de mulheres com a “vagina dentada”, como citou o antropólogo francês Lévi-Strauss (1908-2009) no seu livro, “O Cru e o Cozido”, que narra diversos mitos, entre estes, o da “vagina dentada”. A “vagina dentada” tem um simbolismo moral antropológico na cultura de vários países, tanto o é que eram contadas histórias de mulheres com a “vagina dentada” mostrando aos homens neófitos no sexo o perigo de se relacionar com as mulheres desconhecidas. Lévi-Strauss comparou, em 1949, o psicanalista a um xamã e disse que o método psicanalítico tinha fulcro na sug
estão, porém, sua hipótese foi derrotada pela experiência. O fato é que há homens heterossexuais que não penetram as mulheres com medo de terem seu pênis dilacerado pela vagina, como se fosse possível existir uma vagina dentada, fenômeno este que ficou conhecido como a “síndrome da vagina dentada”, daí se vê a forte influência dos mitos no comportamento humano...





Luís Melo
SUICÍDIO








O ato de extinguir a própria vida é o fator precipitado que muitos jovens no mundo atual tem buscado enquanto adquirem um estado de depressão que produz a internalização dos impulsos agressivos que não conseguem externar.
Este estado depressivo assume a forma de fantasia sádica, o que acarreta o suicídio, afinal estes jovens têm sede e fome de viver, porém, extirpar a dor através da vida é o resultado inconsciente de eliminação de sua dor emocional, que é o reflexo de uma iteração entre as contingências pessoais e sociais. O suicídio resulta de uma situação marcada por tensão interior e ação social do ambiente; isto é, uma grande tensão interna com pequena estimulação social que implica na convergência de 3 fatores: A PESSOAS OU HOSPEDEIRO, O AGENTE DEFLAGRADOR E O AMBIENTE.
Desta tríade, depende o constantemente o suicídio, a perda, a carência ou privação, podendo ser real ou imaginária e que geralmente ocasiona a solidão, desencadeiam interações e somatização resultante do ato autodestrutivo. Também a agressividade seja ela física, psíquica e ou verbal, constitui como um dos fatores cabal da depressão consciente; como também o luto que, em seu segundo estágio, ou seja a cólera.
Há teorias que afirmam que o suicídio é a soma de coragem e energia psíquica projetada no desejo de morrer+desejo de matar+desejo de ser morto, gerando assim um sentimento de culpa e responsabilidade no ambiente. Esta é uma atitude passiva de não poder interpretar a agressividade e a revolta contra a vida e a fuga da vida diante da responsabilidade por seus atos ou por sua dor.
Em 98% dos casos de suicídio, a pessoa esta acometida por ESQUIZOFRENIA, PSICOSE-MANÍACO-DEPRESSIVA, REAÇÃO PSICOGÊNICA A DIFICULDADES AMBIENTAIS; não se trata de pessoas deprimidas propriamente, mas pessoas infelizes com a situação negativa em que se encontram. Na velhice por exemplo,os estados orgânicos como delírio, demência arterioesclerótica oriundas nas mais diversas formas de epilepsia. Raramente se observa um suicídio em condições racionais ou por motivos realmente válidos, analisando que os animais não se suicidam. Considerando a teoria de Stengel, há duas formas de suicídio: O SUICIDO E A TENTATIVA DE SUICÍDIO.
Nos adultos, os mais frequentes casos de suicídio estão ligados ao sexo masculino decorrente ao isolamento, divorcio, ausência dos filhos, residências em grandes cidades; alto padrão de vida,crise econômica, celibato, viuvez, consumo de álcool e drogas,lar desfeito quando crianças ou abusos sofrido nesta fase, doença mental ou grave(câncer, diabetes, cardiopatas).
No sexo feminino, o suicídio esta associado á juventude e suas modificações emocionais e hormonais, baixa densidade populacional, mulheres que moram na zona rural, religião, casamento, aumento dos filhos, e baixo padrão de vida. Sendo assim, há maiores casos de suicídio Masculino e maiores tentativas de suicídio Feminino; sendo que para cada 10 suicídio Masculino, há 8 tentativas de suicídio Feminino.
O fato importante é tratar-se de um recurso da pessoa para “forçar uma modificação no seu ambiente familiar através das reações universais imediatas que o ATO SUICIDA desperta”. No processo de apelo pela ameaça da vida para obter uma alteração no ambiente, existe uma possibilidade constante de levar a termo , esta intenção;já que perfil do suicida dizendo em linhas gerais descritos acima,há uma ambivalência a ser analisada, pois há uma evidência entre suicídio e doença mental, mas não se pode afirmar que todo suicida é um doente mental.
Esta semana alguns fatores chamou a atenção no FACEBOOK, como a divulgação do menino que suicidou após sofrer bullying na escola quando teve sua cueca puxada diante nos demais alunos, uma garota que cometeu o mesmo ato quando suas fotos em momentos de intimidade com o namorado foram expostas, outra que minha amiga Andréia postou em minha página e também na pagina de outra psicanalista, Ana, comentando que o Rio Grande do Sul possui o maior numero de suicídio no Brasil.
Sendo ou não verdade, é uma realidade que nossos jovens estão vivendo num MUNDO CHEIO DE INFORMAÇÕES, E VAZIOS DE RACIONALIDADE (Augusto Cury).
Na antropologia, estuda-se que os fatores ambientais influenciam na cultura e comportamento das espécies. Nos povos que habitam em países de baixa temperatura foi observado que a ESQUIZOFRENIA se desenvolve em 63% dos habitantes em relação aos povos que habitam em países quentes e ou tropicais. Em contrapartida, estes países tropicais, há maior incidência da síndrome de AUTISMO, mesmo sendo este uma forma de esquizofrenia.
No Brasil, nas regiões sudeste e norte, o numero de portadores da síndrome do AUTISMO (73%), superam as demais regiões, enquanto no sul do pais, o numero de esquizóides superam as demais regiões (67%). SUÍÇA, AUSTRÁLIA E JAPÃO, países com maior índice de jovens suicidas, têm algo em comum além do clima do RIO GRANDE DO SUL, suas posições geográficas frente aos meridianos. As jovens são frígidas ou semifrigidas a vida toda e com inúmeras disfunções psicopatológicas incluindo as mulheres da ARGENTINA,CHILE,BOLÍVIA E URUGUAI.

R. Neuro Psicanalise

25 de agosto de 2013

Confiança e Satisfação


Padrão de qualidade e distribuição em todo o Brasil fazem dos produtos Cepalab os mais vendidos e confiáveis do mercado.A liderança em vendas é sinônimo de credibilidade junto aos profissionais do ramo de farmácias. Os nossos produtos vendem mais pela satisfação de milhares de mulheres.Cepalab, quem compra, indica. Quem vende, oferece o melhor produto do mercado
Não é difícil ver e perceber que nas relações atuais se o cara for um apaixonadinho-faz-tudo pra mulher, bonzinho e amoroso, não será bem “correspondido”; pelo contrario: a tendência em quase todos os relacionamentos em que ele se comportar assim, terá grandes chances de sofrer, levar chifres ou ir ao fundo do poço por causa da mulher.
Isso tudo acontece porque o rapaz se apega a ela e isso não faz nenhum bem a ele, que dirá pra ela.
Então, apegar-se é uma má ideia e seu jogo interno deve ser trabalhado para que isso não aconteça, escrevi isso aqui para quem não tem noção disso abrir os olhos e começar a compreender isso tudo, assim poderá manter-se desapegado de qualquer mulher que seja.

Toda vez que você fica apaixonadinho feito um bobo, acreditando em tudo o que ela fala, sem nem conhecer a fundo a garota, você está apegado cara. Já falei um bom motivo para não se apegar: você acredita em tudo o que ela fala, além disso, não desconfia que nada esteja errado, vê ela como um anjo celestial – ela não é com certeza, é um ser humano como qualquer outro – fica triste ao levar bolo ou fora dela, pensa nela o dia todo, tirando sua concentração em outras tarefas que exigem mais foco; afasta ela, causa aversão nela ver um homem submisso, pois na verdade, diferente de você, ela não ama você em si e esta com você apenas pelo o que você causa nela, ou seja, se daqui a 2 meses ela não sentir mais aquelas emoções de começo de namoro, ela vai te achar desinteressante.

Mulheres sãos seres de momento, uma hora estão loucas correndo atrás de você e fazendo tudo pra que você note ela, diz que te ama, te enche de mensagens todos os dias te dando bom dia, outra hora ela detesta que você ligue pra ela, não quer te ver, rejeita suas ligações, que fazer programas de mulher solteira, etc.

É muito difícil hoje em dia encontrar mulheres BONITAS ou que se achem bonitas: sinceras, preservadas, que não façam questão de emoções fortes e que ame o cara em si e por si. Esse tipo de mulher existe? Sim, é difícil no mundo de hoje, mas existe. Elas estão mais interessadas em ser melhores que as rivais, pondo em risco tudo de bom e verdadeiro que elas possuem, do que ficarem tranquilas, terem ao lado um cara cuidadoso, fiel e dedicado.

Então cara, não se apegue, seja equilibrado: não é porque ela é assim que você vai ser um revoltado, muito pelo contrario, seja sereno, esteja em paz consigo mesmo independente da mulher que esteja ao seu lado. Goste dela, trate ela muito bem, mas não se apegue, pois o prejuízo emocional é grande.